Movimento Nordeste Independente lança Carta

2 de Julho, o Nordeste já foi independente!

O Nordeste da América Portuguesa, no decorrer dos tempos, foi palco de sistemáticas lutas por sua autodeterminação. Detentor de uma cultura própria e um desejo constante de reger seus próprios destinos, insurgiu-se repetidas vezes contra o domínio de Portugal e, posteriormente, contra o Império do Brasil.

Entre os anos de 1683 e 1713, diversos povos indígenas do Sertão revoltaram-se contra a ocupação de seus territórios tradicionais, tendo em vista a expansão da agricultura e, em especial, da pecuária, promovida pela Metrópole portuguesa. O ponto central desse conflito que ficou conhecido como A Guerra dos Bárbaros ou Confederação dos Cariris – foi o Vale do Açu, no atual Rio Grande do Norte, porém com repercussão em todo o interior do atual Nordeste – e representou um verdadeiro genocídio da população nativa.

Na Bahia, destacaram-se quatro movimentos: a Conjuração Baiana (1798- 1799), a Federação do Guanais (1832-1833), A Revolta dos Malês (1835) e a Sabinada (1837-1838).

No Maranhão e no Piauí, ocorreu a Balaiada (1838-1841).

Tendo como epicentro, Pernambuco, ressaltaram-se: A Conspiração dos Suassunas (1801), A Revolução Pernambucana (1817), a Confederação do Equador (1824) e a Revolução Praieira (1848-1850).

No dia 02 de julho de 1824, em Recife, Pernambuco, foi proclamada a Confederação do Equador que objetivava a criação de uma república composta por todas as províncias setentrionais do império brasileiro (desde a Bahia até o Grão-Pará), concedendo a todos os estados membros ampla autonomia interna.

Essa data marcante, deve ser lembrada por todos os nordestinos, como marca indelével de sua aspiração a uma pátria livre e soberana! É com este ímpeto que o Nordeste Independente luta atualmente pela emancipação política, econômica e social de nosso povo. Atualmente, somos mais de 57 milhões de habitantes (2019), numa área de aproximadamente 1.554.257 km², submetidos a uma estrutura neocolonial promovida historicamente por outros territórios da América Lusitana.

Reflexo disto é a incrível diáspora nordestina, onde milhões de conterrâneos emigraram para outras regiões que até as gerações atuais são vistas de forma pejorativa, inclusive pelo Governo central. O Nordeste precisa do apoio da Comunidade Internacional e das demais Nações e Povos que se encontram em situações similares. A autodeterminação dos Povos presente na Carta fundadora das Nações Unidas deve ser respeitada e consolidada.

Comissão de Relações Exteriores

Nordeste Independente

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